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quando escrevemos algo, quando falamos algo, quando vomitamos algo, quando enxergamos algo - algo vai para a Via Láctea - e volta em forma de luzes, sons e palavras que cada um interpreta da maneira que a noite lhe permitir. (Emir Ross)

28 de fevereiro de 2008

A felicidade e José Saramago

Ontem, vi na Globonews a reprise de uma entrevista que o Edney Silvestre fez com o José Saramago. O Saramago é incrível, embora suas palavras, enquanto as fala, não confiram tanta credibilidade.
Mas quem hoje em dia preocupa-se com credibilidade. O que ele fala é ainda mais bonito do que escreve. Embora menos genial.
Saramago publicou o primeiro sucesso, Memorial do Convento, aos 60 anos de idade. Trabalhou a maior parte da vida como mecânico. Algo um pouco distante da literatura. Comentou que, hoje, não saberia consertar um carro, porque ele já não é o mesmo, mas, principalmente, porque os carros já não são os mesmos. Felizmente, para nós, depois que ele começou a escrever, a literatura também não é a mesma.

O que mais chamou-me atenção foi o fato de Saramago dizer que o Prêmio Nobel que recebera não tinha grande importância na sua vida. Era um grande prêmio, mas comparado à grandeza do universo, isso era muito pequeno. Quando o recebeu, em seu discurso, disse que o homem mais sábio que conhecera fora o avô, que não sabia ler nem escrever.
Segundo o escritor, a infância foi a principal parte da sua vida: a parte em que ele a sentiu mais intensamente. José Saramago nasceu e passou os primeiros anos em Azinhaga, uma aldeia em Portugal, até mudar-se para Lisboa com a família; mas nas férias, sempre voltava para a terra natal, onde tirava os sapatos e encontrava os (verdadeiros) amigos, a sua gente. Só para lembrar, nos anos em que o único escritor de língua portuguesa a ganhar o Nobel, José Saramago, sentiu a vida roçar sua pele na forma mais completa, ele era pobre, filho de camponeses e nada conhecia do mundo além do lugar onde vivia.

Talvez esta seja a principal lição. Quanto menos conhecemos as coisas, mais estamos próximos da felicidade.

criado por Emir Ross    12:06 — Arquivado em: Sem categoria

3 Comentários »

  1. Comentário por Guilherme — 28 de fevereiro de 2008 @ 15:08

    Tive a honra de ter sido apresentado ao blog do meu amigo Emir hoje, e faço questão de salientar: a vida tem três auges, dizem: corpo, mente e alma. O melhor da alma vem na terceira idade, e é com ele que se produz o que mais toca a alma alheia. Saramago brilhou num momento oportuno. Abraço

  2. Comentário por Douglas Dickel — 29 de abril de 2008 @ 20:52

    Aquilo que o Saramago disse foi ainda mais genial do que o que ele escreveu. Qual é a tua discordância, ali?

  3. Comentário por Emir — 30 de abril de 2008 @ 16:01

    Douglas, eu escrevi que o que o Saramago disse é mais bonito daquilo que ele escreve. Mas o que ele escreve é mais genial daquilo que ele fala. Questão de balanças… Abração.

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