milkyway

quando escrevemos algo, quando falamos algo, quando vomitamos algo, quando enxergamos algo - algo vai para a Via Láctea - e volta em forma de luzes, sons e palavras que cada um interpreta da maneira que a noite lhe permitir. (Emir Ross)

29 de fevereiro de 2008

Sem título

A cabeça só doía quando eu abria os olhos.
E, quando respirava, as costelas criavam órbitas e enfiavam-se na carne como agulhas, pois queriam enxergar o lado de fora.
Já não sentia os pés, por isso não me importava em movimentá-los nem em receber pisões, que deixavam marcas de sapatos de todos os tamanhos.
Só mexia os dedos das mãos de vez em quando, porque ao levantar o indicador o sangue queimava-me os pulsos.
O estômago não doía, mas reclamava em urros, ouvidos à distância, que me separava de tudo.
Em meu peito o coração também doía, porém essa dor era diferente.
Era uma dor de perda.
Uma dor de angústia.
Uma dor que procurava esconder-se, pois sentia vergonha das outras dores que apenas a carne massacravam.

criado por Emir Ross    11:49 — Arquivado em: Sem categoria

3 Comentários »

  1. Comentário por LISA — 29 de fevereiro de 2008 @ 16:29

    Oi querido…

    Suas palavras fizeram doer mais ainda meu corpo, já dolorido… bjs

  2. Comentário por dani langer — 2 de março de 2008 @ 14:17

    gosto desse texto.

  3. Comentário por Fernando Ximenes — 10 de março de 2008 @ 17:02

    O que você estava sentindo ou pensando quando escreveu esse texto???

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