milkyway

quando escrevemos algo, quando falamos algo, quando vomitamos algo, quando enxergamos algo - algo vai para a Via Láctea - e volta em forma de luzes, sons e palavras que cada um interpreta da maneira que a noite lhe permitir. (Emir Ross)

23 de julho de 2008

TransDogAmerica

A Lassie foi o

primeiro cachorro travesti da história

a ficar famoso.

criado por Emir Ross    11:37 — Arquivado em: Sem categoria

17 de julho de 2008

Lei do Grude

Ainda chegará o dia em que acabarão com os chicletes. Se existem tantas leis em nossa legislação: Lei do Tabaco, Lei Seca, Lei do Usuário, Lei do Cheque, Lei Fria, porque não criar logo a Lei do Grude.

Nela, grude apenas de língua. Nada de mascar chiclete poraí. Quem for pego mascando, multa de novecentos e cinqüenta e cinco reais e perda do direito de andar pela rua por uma semana.

Para quem cuspir a goma em vias públicas, então, retenção de seis meses sem direito à fiança.

O chiclete é um problema. É nojento. Gruda no sapato e vai agregando toda sujeira que encontra pelo caminho. E você leva para o trabalho, para a casa dos amigos. E o pior, para a sua casa. As namoradas olham torto. As empregadas recusam-se a limpar. Eu não tenho o menor jeito para tirar com a escova. Nas seis tentativas, destruí os calçados. Da próxima vez que acontecer, pedirei indenização a algum poder público.

Pago impostos. Tenho direito de pisar em calçadas seguras. Limpas. E sem babas mascadas.

Também tenho direito à salubridade visual. E é totalmente doentio observar bocarras abrindo e fechando-se com línguas enormes e babadas fazendo aquele barulho que os desdentados fazem durante as refeições. Um atentado ao pudor. Vou, a partir de hoje, pensar num contra-veneno para estes seres babentos. Talvez eu carregue comigo pequenos supositórios com tinta colorida. Quando os chicleteiros abrirem a boca, lá vai um a explodir entre seus dentes. Ficarão marcados como os criminosos da Bíblia: a falta de uma mão, de uma orelha, de um dedo, denunciava os crimes. Com os supositórios, o diâmetro da boca e o barulho da mascada merecerão as diferentes cores: dentes amarelos para quem apenas mascar sem barulho, dentes azuis para quem mascar com a boca escancarada e dentes vermelhos para quem, além de tudo, ficar jorrando saliva para cima dos outros. Ah, para aqueles que jogarem o chiclete no chão, miscelânea de tinta no cabelo.

Pelo menos até a Lei do Grude entrar em vigor.

criado por Emir Ross    9:53 — Arquivado em: Sem categoria

9 de julho de 2008

A fã no banheiro

Amanhã completará um dia que descobri ter uma fã. Ela me capturou numa festa. “Tu é o Emir, né?” “Sim, sou.” Depois fez um monte de comentários sobre a vida e a morte e chegou aos meus textos, dizendo que gostava deles. Não quis dizer-lhe com todas as letras que tinha mau gosto, mas, cá entre nós, cada um com seus problemas.

Após despedir-me dela, pois é totalmente constrangedor alguém chegar e falar coisas a seu respeito que você tem certeza não serem verdades, pensei que sim, eu poderia ter uma fã. Quem se importaria com isso? Fui ao banheiro pensando como seria transar com uma fã, já que eu não sou um astro de rock.

Digo assim: fodê-la como se não fosse ela um ser humano. Como se fosse ela um papel e eu uma caneta que dá vida a um personagem. Cheguei à conclusão que adoraria vê-la trepando com minhas frases de sintaxe invertida. Molhada de palavras nonsense e penetrada por estruturas verbais desconstruídas.

Voltei para casa inspirado. Repleto de ódio no coração, ouvi doze vezes seguidas Comfortably Numb, até o sol nascer. Enquanto o astro movimentava-se, terminei um conto sobre um homem que pensa ser um microsystem, ou seja, três em um. Confesso: eu nunca tinha escrevido seis páginas seguidas entre cinco e sete da manhã. Depois, ouvi o The Wall disc two até o final e masturbei-me para poder dormir, com a sensação de dever cumprido.

Eu tenho certeza que, após ler esse texto, afinal é certo que ela o fará pois trata-se de minha única leitora (pelos números, em cinco meses, visitou meu site 4046 vezes), ela passará a ter nojo de mim. Transpirará rancor por meus textos e sentirá raiva de si mesma por ter-me conhecido e revelado um gosto pessoal tão esdrúxulo.

Mas aí será tarde. Pois eu já terei fantasiado mil maneiras de introduzi-la à minha literatura e pela primeira vez chegarei a um orgasmo lingüístico no êxtase de fantasiar alguém transando comigo por causa do que escrevo e não por meus olhos desbotados.

criado por Emir Ross    17:44 — Arquivado em: Sem categoria
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