milkyway

quando escrevemos algo, quando falamos algo, quando vomitamos algo, quando enxergamos algo - algo vai para a Via Láctea - e volta em forma de luzes, sons e palavras que cada um interpreta da maneira que a noite lhe permitir. (Emir Ross)

9 de julho de 2008

A fã no banheiro

Amanhã completará um dia que descobri ter uma fã. Ela me capturou numa festa. “Tu é o Emir, né?” “Sim, sou.” Depois fez um monte de comentários sobre a vida e a morte e chegou aos meus textos, dizendo que gostava deles. Não quis dizer-lhe com todas as letras que tinha mau gosto, mas, cá entre nós, cada um com seus problemas.

Após despedir-me dela, pois é totalmente constrangedor alguém chegar e falar coisas a seu respeito que você tem certeza não serem verdades, pensei que sim, eu poderia ter uma fã. Quem se importaria com isso? Fui ao banheiro pensando como seria transar com uma fã, já que eu não sou um astro de rock.

Digo assim: fodê-la como se não fosse ela um ser humano. Como se fosse ela um papel e eu uma caneta que dá vida a um personagem. Cheguei à conclusão que adoraria vê-la trepando com minhas frases de sintaxe invertida. Molhada de palavras nonsense e penetrada por estruturas verbais desconstruídas.

Voltei para casa inspirado. Repleto de ódio no coração, ouvi doze vezes seguidas Comfortably Numb, até o sol nascer. Enquanto o astro movimentava-se, terminei um conto sobre um homem que pensa ser um microsystem, ou seja, três em um. Confesso: eu nunca tinha escrevido seis páginas seguidas entre cinco e sete da manhã. Depois, ouvi o The Wall disc two até o final e masturbei-me para poder dormir, com a sensação de dever cumprido.

Eu tenho certeza que, após ler esse texto, afinal é certo que ela o fará pois trata-se de minha única leitora (pelos números, em cinco meses, visitou meu site 4046 vezes), ela passará a ter nojo de mim. Transpirará rancor por meus textos e sentirá raiva de si mesma por ter-me conhecido e revelado um gosto pessoal tão esdrúxulo.

Mas aí será tarde. Pois eu já terei fantasiado mil maneiras de introduzi-la à minha literatura e pela primeira vez chegarei a um orgasmo lingüístico no êxtase de fantasiar alguém transando comigo por causa do que escrevo e não por meus olhos desbotados.

criado por Emir Ross    17:44 — Arquivado em: Sem categoria

3 Comentários »

  1. Comentário por lucia — 30 de julho de 2008 @ 22:44

    Emir! Adorei esta postagem! Ihhhh… e, agora? “Ela” não é mais a tua única fã. Bem, mas a única que declarou-se em uma festa! hahahaha! Um beijo.

  2. Comentário por joviano — 4 de agosto de 2008 @ 18:45

    Tu é muito mais do que um par de olhos desbotados… hauhauhauhauhauhauha

  3. Comentário por marta maronez cigaran chaves — 19 de julho de 2009 @ 22:00

    juremir machado hilário sarcástico irônico da silva?????

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