26 de agosto de 2008
Depois que as portas forem fechadas
virarei um fantasma
Para sonhar com a liberdade
vivenciada
Para viver a memorável
utopia
E para passear entre os ente
vivos
Depois que as folhas atapetarem o chão
virarei um nó de vento
Para carregá-las comigo
um pouco
Para desfrutar de sua seca
companhia
E para enterrá-las num
lugar seguro
Depois que os anjos voltarem à Terra
partirei da água ao vapor
Para subir ao céu
eterno
Para morar com os espíritos
perdidos
E para voar sempre…
sem destino e direção.
19 de agosto de 2008
Faz um mês que entrei pra academia. Prestem atenção, não falo em academia de letras. Faz um mês que entrei pra academia de fitness. É como andam chamando academia de ginástica hoje em dia.
Nunca senti-me tão mal nem visitei tantos médicos num período de trinta dias. Dizem que é pro meu bem. Duvido muito. No último mês, precisei de cardiologista, pois minha pressão subiu. Cortou um monte de coisas da minha dieta. Ando todo dia com dor de cabeça. Também precisei de um traumatologista. Eles mandam fazer umas coisas nessas academias que nos arrebentam. Estou mancando de uma perna: lesão na panturrilha. Provavelmente, também no ligamento do joelho. Minhas costas estão duras. O professor aconselhou-me a procurar um massagista. Até fiquei feliz. Fazia tempo que queria experimentar uma casa de massagem erótica que abriu perto de casa. A menina partiu direto para a parte erótica, ou seja, minhas costas continuam durangas. Contudo, ela estranhou meu desempenho. Então, dei-me conta. Fazia um mês que não trepava. Um mês sem sexo. Um mês com todos os músculos do meu corpo dedicados a puxar ferro. O professor disse que é normal. No começo, estranha-se. Mas é para meu bem. No futuro eu serei melhor. Em tudo. Tô achando é que, se existirá futuro, pois nunca estive tão mal, meu pau ficará menor. É o que dizem. Aumentam uns músculos, diminuem outros.
Essa história ainda acabará comigo. Minha vida social acabou. Estou sempre tão cansado que, à noite, tudo que quero é um banho quente e me esticar no sofá vendo televisão. Acabo dormindo lá mesmo.
Minha esperança é ser demitido. Do jeito que as coisas andam, não sei até quando me agüentarão no meu emprego. Quem sabe assim, os nove cheques que deixei lá no fitness para serem depositados no começo de cada mês virem cheques voadores e me barrem na porta de entrada.
Quem sabe, amigos, quem sabe.
11 de agosto de 2008
"Catarina.
Fodo-te.
Em sonhos. Molhados. Sempre em silêncio. Sempre a quebrar barreiras. Do inconsciente. Te fodo tão profundamente que nem me chego a lembrar no dia seguinte. Em mim, a visão dos lençóis melecados. Gosmas de amor e de tesão incontidos por uma personalidade criada. E recriada. Com vários moldes.
Nossas fodas começaram quando começaram a surgir meus primeiros vestígios de homem. Sempre tão linda e sacana. Às vezes alta. Às vezes baixa. Às vezes peito. Às vezes, nem tanto. Às vezes boca. Às vezes rabo. Mas sempre tão boa e apetitosa que não me importo com tuas formas de aparição.
Catarina.
Abre-te.
Já cheguei até a……. "
Trecho de Catarina. Leia o conto no livro Inventário das Delicadezas. O exemplar custa 20,00 e pode ser encomendado pelo email emirross@hotmail.com