milkyway

quando escrevemos algo, quando falamos algo, quando vomitamos algo, quando enxergamos algo - algo vai para a Via Láctea - e volta em forma de luzes, sons e palavras que cada um interpreta da maneira que a noite lhe permitir. (Emir Ross)

22 de setembro de 2008

Ensaio sobre os mictórios gigantes

Tenho um metro e setenta e sou contra Duchamp. Sou contra a alta do petróleo, contra os intelectuais, contra as cidades maravilhosas e contra os mictórios. Principalmente, os dependurados acima do meu umbigo. Não é a toa que vê-se e cheira-se tanto a mijo pelo chão de alguns bares.

Imagine um anão depois de tomar seus tragos, enfrentar uma bicha de algumas várias pessoas até chegar ao desejado local capaz de engolir suas sobras e não conseguir direcionar o pênis até o vaso quente e cheio de limões que renderia o extremo gozo.

Não é preciso ir longe ou ser anão. Eu mesmo tenho dificuldades em colocar-me acima dos mictórios em certos locais de Porto Alegre. Esta, por sinal, seguramente, é uma terra de gigantes.

Os gaúchos tendem a pensar que tudo aqui é maior ou melhor que os outros Estados da nação. Tem até um certo escritor que diz cultuar a estética do frio e julga que o clima aprimora a superioridade deste povo que, segundo um professor local, tem um enorme passado pela frente. Felizmente esse professor não é romancista e o seguidor da estética do frio faz mais discos do que livros. Estes, por sinal, insuperáveis.

Voltando aos mictórios, temos, em Porto Alegre, o Gigante da Beira-Rio, que é um estádio de futebol localizado na beira de um lago. Ao seu lado, o Gigantinho, um ginásio de esportes que serve para pretendentes a vagas nas universidades fazerem um vestibular simulado no mês de dezembro, sentados nas arquibancadas num calor que beira os cinqüenta graus; muitos deles desistem das provas de verdade e vão para o litoral no verão. Um litoral gigante, que tem apenas uma praia com centenas de quilômetros dividida por vários nomes como Tramandaí, Nova Tramandaí, e assim por diante.
Porto Alegre tem outras coisas gigantescas para se orgulhar. Orgulha-se todo dia vinte de setembro de ter perdido uma guerra lá no século dezenove. Próximo a esta data, quem nunca viveu no campo veste bombacha e vai para um acampamento cheio de lama morar em barracas, beber canha e comer churrasco gordo. Ficam lá dias e dias a fio. Esta, é a maior concentração de colesterol por metro quadrado do mundo. Ali, quem nunca pisou numa bosta de vaca tenta convencer o vizinho da melhor maneira de se carnear um novilho.

Em Porto Alegre também há a maior concentração de machos que já se ouviu falar. Nesta cidade, até mulher é macho. Seguidamente perguntam aos gaúchos que visitam outros Estados se é verdade que nas terras sulinas só tem macho: eles respondem que sim.

Possivelmente, a altura dos mictórios esteja ligada a este complexo de gigantismo do povo dos pampas. Nos próximos minutos, receberei algumas ameaças de morte e daqui há sete dias já terei exílio concedido por algum outro Estado brasileiro que manterá absoluto sigilo quanto à minha localização. É provável que eu procure um lugar aonde não venha a ter problemas com os mictórios. Mas uma coisa é certa, levarei comigo a bandeira verde, amarela e vermelha com a heráldica farroupilha para colar no vidro traseiro do carro, afinal, gaúcho que é gaúcho sempre leva o Rio Grande consigo.

criado por Emir Ross    11:12 — Arquivado em: Sem categoria

15 de setembro de 2008

Não estou triste pelo Richard Wright

Acabo de ficar sabendo que o Richard Wright morreu. Foi a segunda notícia lastimável na semana. A primeira foi ler o que o Gilmour dissera: “… o Pink Floyd não se reunirá de novo”. Apesar de sua afirmação, eu ainda tinha esperanças. Sabe o que é esperança? É aquela que morreu hoje. O Dave já sabia da doença do Rick, eu não. Por isso eu ainda nutria uma vontade indelével.
Não.
Não estou triste pelo Richard Wright. Ele já tinha seus sessenta e cinco anos. Suas dezenas de músicas inesquecíveis no currículo. Pra você que não entende muito de música, a abertura do Jornal Nacional é dele. Uma versão de Summer 68. E saber que uma música com esse título, uma música com essa história vai ser tema de abertura daquilo.
Então, não estou triste pelo Richard Wright. Além do citado acima, ele tinha seus milhões de libras. Ele tinha experimentado drogas que sequer ouvirei falar na minha ordinária existência. E, certamente, ele comeu mais mulheres gostosas do que eu vi na Playboy.
Eu estou triste, meus amigos, porque eu sou o mais egoísta espécime da nossa geração. Estou triste porque jamais verei Rick Wright pilotando seu teclado em Dark Side of the Moon. Estou triste porque não ouvirei sua voz mansa cantando

Would you like to say something before you leave.
Perhaps you’d care to state exactly how you feel.

Estou triste porque me acho no direito de ficar triste. Porque me acho no direito de querer saber o que de tão mal fez o Wright para despertar a fúria do gênio Roger Waters.
Estou triste porque há coisas que jamais acontecerão.

How do you feel, how do you feel, how do you feel?
Good-bye to you
Charlotte Pringles due
I’ve had enough for one day

criado por Emir Ross    15:30 — Arquivado em: Sem categoria

11 de setembro de 2008

a prOPósito:

 

O Super Ego voa?

criado por Emir Ross    23:53 — Arquivado em: Sem categoria
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Am I a spambot? yes definately
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