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quando escrevemos algo, quando falamos algo, quando vomitamos algo, quando enxergamos algo - algo vai para a Via Láctea - e volta em forma de luzes, sons e palavras que cada um interpreta da maneira que a noite lhe permitir. (Emir Ross)

3 de fevereiro de 2009

Relíquias

É estranho pensar que uma obra escrita nos mil e oitocentos ainda provoque risos no século vinte e um. Principalmente, se as frases são compostas por palavras como laboriosamente e descontinuar.

Mas basta ler algumas páginas do livro A Relíquia, do Eça de Queiroz, para qualquer um cair no riso e achar-se dotado de intelecto. A excelência deste livro está nisso: o autor consegue fazer humor inteligente. E o melhor, é tão extraordinário que faz o leitor achar-se como tal.

Nós leitores não somos inteligentes. Mas acharmo-nos capacitados é mais um favor que o Eça nos presta com sua sutileza.

Assisti a uma adaptação deste romance para o teatro na época em que vivi em Portugal. A companhia era famosa e sua visita a Coimbra causou alvoroço. Por sorte, consegui as entradas. Na verdade, não foi sorte. Passei belos momentos numa bicha.

A peça é fenomenal. Pensei que fosse pelos atores. E por um roteiro com linguagem e tiradas atuais. E ficou nisso. A Relíquia resumiu-se, por alguns anos, a uma das melhores peças que assistira na vida. Até, em certa Feira do Livro de Porto Alegre, deparar-me com um exemplar deste livro num balaio.

Lembrou-me a peça. Estava barato. Comprei sem folhear.

O livro resistiu bravamente às minhas renúncias. Não sucumbiu quando eu escolhia um John Steinbeck ou um Shnitzler. E, por fim, provou-me que valera cada dia que o guardei um minha cristaleira.

Para os que não me visitam, guardo os livros numa cristaleira, já que em minha casa não há cristais. Meus maiores dotes são os livros, que separo por: lidos, lendo, a ler. Verdadeiras relíquias. Talvez, nas mãos de Teodorico Raposo, virassem preciosos objetos para o comércio no mercado negro religioso. E as camisolinhas que se confundem com material de igreja também. Mas para isso, queridos, teria que pedir permissão a Eça de Queiroz.

Peçam vocês também.

criado por Emir Ross    14:21 — Arquivado em: Sem categoria

1 Comentário »

  1. Comentário por marta maronez cigaran chaves — 19 de julho de 2009 @ 20:14

    será que terei que reler o livro???? já nem me lembro mais….faz tanto tempo! bjssssssss

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