milkyway

quando escrevemos algo, quando falamos algo, quando vomitamos algo, quando enxergamos algo - algo vai para a Via Láctea - e volta em forma de luzes, sons e palavras que cada um interpreta da maneira que a noite lhe permitir. (Emir Ross)

5 de maio de 2009

Mistic: sobre meninos, lobos, verdades e mentiras

Como não gosto de ver filme na estréia, demorou alguns poucos anos até eu assistir Mistic River. Assisti ontem (para vocês, leitores, a palavra ontem é atemporal). Fiquei feliz com o que vi. O filme confirmou minhas idéias mais otimistas sobre o ser humano.

Confirmou de maneira incrivelmente aceitável minhas suspeitas de que as pessoas nunca acreditem quando se fala a verdade.

Não sei por que é mais fácil acreditar em mentiras. Mas o óbvio, o fácil, o verdadeiro, é definitivamente uma farsa.

 

Eu sou uma farsa que vocês levam a sério de uma a cinco vezes por mês.

Minhas verdades são tão mentirosas que mandam Dave Boyle para o colegial das inverdades.

O filme é um festival de mentiras. Até as críticas que saíram sobre ele não são verdades.

Principalmente quando dizem que Mistic River foi algo inédito. Até parece eu me repetindo nas frases que dizem para vocês fazerem algo mais útil do que ler meus textos. Ou vocês lembram do Kevin Bacon filmando roteiros que não envolvem pedofilia? Até quando ele faz o bom moço pensa-se que é o vilão da história e mais hora menos hora vai comer um menininho. Às vezes penso que ele foi comunista numa encarnação passada.

Em Sobre Meninos e Lobos ele é o lobo. Fuja, Dave. Fuja.

Até eu senti vontade de fugir do sofá quando vi sua cara aparecendo na tela. E, acreditem, ele era o policial do filme.

 

Se houvesse um Mistic River 2, os dois pequenos assassinos de Katie sofreriam embaixo dele. Eu sei disso. Eu vi.

Taí um roteiro que eu gostaria de escrever.

Mas não me convidem, por favor, senhores produtores, pois quando sou eu quem escreve, as mentiras fogem pelas entranhas. Isso, às vezes, é nojento.

Mais nojento que um menino de onze anos servindo de boneco ou o Kevin Bacon aparecendo como bom moço. E, por fim, mais nojento que a gente acreditando que seu personagem é apenas um policial em Mistic River. O Kevin Bacon, jamais. Não acreditem nele, ou nas linhas em que conste seu nome.

Eu não acreditaria.

criado por Emir Ross    10:47 — Arquivado em: Sem categoria

1 Comentário »

  1. Comentário por marta maronez cigaran chaves — 19 de julho de 2009 @ 20:06

    estou te lendo e adorando teus textos…..é isso mesmo!

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