26 de junho de 2009
Carlo e Rita
Nunca parei para ler uma obra do Carlo Ginzburg. Não foi por desinteresse. Foi por ignorância mesmo. Para mim, este nome sempre foi um título para se ler nas universidades ou igrejas: locais onde se estuda o maior fenômeno da humanidade: a mentira.
Nas universidades e nas igrejas há um culto à ludibriação. Um culto à forma de enganar. Aos meios para se formar exércitos cegos. De se ganhar força, poder e dinheiro. E, finalmente, de se mentir falando a verdade.
Ou de falar a verdade mentindo.
Confesso que os únicos mentirosos que realmente me fazem fruir são as prostitutas e os guias turísticos. Mas não estou aqui pra falar deles.
Antes que vocês pensem que sou um expert na obra de Ginzburg, adianto que nada sei sobre ele além de uma matéria de página publicada na Bravo e de uma palestra que ele deu sobre uma estátua que nada entendi.
Mas, porque então falo desse cara?
Porque, nessa matéria da Bravo tem uma frase do CG que resume a humanidade:
“uma afirmação falsa, uma afirmação verdadeira e uma afirmação inventada não apresentam, do ponto de vista formal, nenhuma diferença.”
De novo ressalto as prostitutas e os guias turísticos. Acho que gosto deles porque eu já sei o que eles farão e eles estarão ali pra me agradar com suas mentiras, ao contrário dos padres e professores.
Voltando à definição de Carlo Ginzburg: é tudo a mesma merda. Não importa se é correto o que nos fazem acreditar, né Sr. Ratzemberg. O que importa é que acreditemos e tudo se torna verdade.
Por isso acredito em tão poucas coisas nesse mundo. A começar por mim. Conhecendo-me como eu me conheço, é bom não acreditar. Sempre posso me arrepender depois.
E se nem em mim mesmo acredito, isso que sempre falo a verdade, como acreditar que Cabral não sabia o destino ao desembarcar na Baía. Como acreditar que o homem chegou à lua nos anos 60, se hoje, no século XXI ele não consegue sair da órbita. Como acreditar que a Gisele Bündchen não colocou silicone se aos 15 anos seu peito era uma tábua. E, enfim, como acreditar que uns digam aos outros o que fazer por se considerarem intelectualmente superiores e esses atendam com sorrisos de uma orelha a outra.
Enalteço as prostitutas e os guias turísticos. Porque a mentira deles é verdadeira. Nos faz bem.
Enquanto as verdades canônicas nos enterram e sufocam.
Então, pra encerrar, como parafraseei o Carlo Ginzberg, parafrasearei a Rita Lee, afinal,
“tudo vira bosta”.
criado por Emir Ross
14:09 — Arquivado em: 

Comentário por Juliana — 28 de junho de 2009 @ 22:17
Se Menocchio no século XVI já havia afirmado à inquisição que o mundo tinha origem na putrefação… queijo, vermes e igreja… Provavelmente quando Carlos Ginzburg escreveu sobre ele…inspirou!
Comentário por marta maronez cigaran chaves — 19 de julho de 2009 @ 19:55
bárbaro! ..não tinha pensado nisso….