milkyway

quando escrevemos algo, quando falamos algo, quando vomitamos algo, quando enxergamos algo - algo vai para a Via Láctea - e volta em forma de luzes, sons e palavras que cada um interpreta da maneira que a noite lhe permitir. (Emir Ross)

9 de julho de 2009

Ficar a Solo

Nos últimos meses optei por longos períodos de reclusão. Afastei-me das pessoas, do futebol, das letras e até do sexo para dedicar-me a Solo, o livro do Juremir Machado da Silva.

Li seis vezes e meia.

A meia foi a primeira metade. Espero completá-la antes do final do ano.

Confesso: não senti falta alguma das coisas que renunciei neste período. Solo completava-me. Era como a outra metade de mim. Como se fôssemos corpo e alma, homem e mulher, direito e esquerdo, Chitãozinho e Xororó.

Solo fornecia-me companhia. Fazia-me rir. Brigava comigo. Dialogava. Até me fazia gozar. Suas páginas, hoje, estão tão cheias de mim quanto estou de suas sílabas.

Quem está com Solo, de mais nada precisa. Talvez, no máximo, uma música do Tom Waits na cabeça. Mas, se não tiver, não faz mal. Conseguirá viver e muito bem com Solo.

Solo é a soma de tudo. Do sarcasmo, das mulheres, do campeonato brasileiro, das viagens e da punheta que é a nossa vida. O resultado disso tudo é um imenso nada.

Acho que o tal Sartre, quando pensou em escrever aquele título, deveria ter escrito O Solo e o Nada. Ele errou por algumas letras a mais, outras a menos. Mas menos mal para nós que o Juremir chegou a tempo de dar-nos as respostas para as perguntas que nunca pensamos em fazer. Não pelas perguntas não existirem. Mas por nosso pensamento estar, por assim dizer, em desuso.

A narrativa de Solo vem em voz rouca, baixa. Até quando ela grita com a gente precisamos fazer um esforço para ouvi-la. Porque o melhor de Solo está nas entrelinhas. E é óbvio que grande parte de vocês não entenderá o que o autor quis dizer, assim como não fará idéia do que estou aqui tentando explicitar. De forma implícita, é bem verdade. Mas cada um entende o que merece.

Todavia, prestem atenção, não estou tentando dizer Nada.

Então, fiquem a Solo. Se conseguirem passar um tempo longe das pessoas, do futebol, das letras e até do sexo quem sabe captarão alguma mensagem.

 

criado por Emir Ross    17:12 — Arquivado em: Sem categoria

6 Comentários »

  1. Comentário por Solita — 11 de julho de 2009 @ 0:04

    …agora tá explicado!

  2. Comentário por Leonardo — 14 de julho de 2009 @ 19:50

    É bom mesmo esse livro? O cara me indicou o Steinbeck, indicaria o Juremir para a mesma pessoa?
    Um abraço, véio!
    Leo

  3. Comentário por marta maronez cigaran chaves — 19 de julho de 2009 @ 19:46

    amei! dissestes tudo o que eu queria…vou lê-lo sempre…e já comecei agora mesmo

  4. Comentário por marta maronez cigaran chaves — 21 de julho de 2009 @ 14:13

    Valeu! mandou bem [JUR]EMIR ROSS - é cobra criada…..

  5. Comentário por Marta Martinz Magalhães — 22 de julho de 2009 @ 10:02

    Muito interessante. Sempre me embriago com as linhas, mas especialmente com as entrelinhas dos livros do competente professor.
    Ele escreve com um zelo extraordinário.
    Abraços

  6. Comentário por Débora — 1 de agosto de 2009 @ 14:37

    Há literartura que nos deixa assim, e ainda bem que a existe. :)

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