17 de setembro de 2009
Roger e o bis
Roger Waters não volta para o bis.
Ele faz espetáculos com antes, durante e depois. O depois do Roger Waters é a lembrança e não uma canção requentada.
Para Roger Waters, o bis não faz parte do espetáculo, logo, não precisa existir.
Eu não sei se ele pensa assim, mas é uma teoria que formei por constatar isso em cem por cento dos shows dele que frequentei. E frequentar um show do Roger Waters não é assistir a um show. É frequentar mesmo.
Há muitos, para não dizer todos, que fazem um show, saem do palco e voltam para bis. Na hora da última música após o retorno, dizem:
“Não poderíamos sair daqui sem tocar esta canção.”
Ora, se não podiam sair sem tocá-la, por que não tocaram antes?
E se o público não chamasse para o bis?
Iriam sair sem tocar a música que não poderiam sair da cidade sem tocar?
O bis é uma das piores demonstrações de falta de amor próprio de que tenho conhecimento. É inadmissível alguém programar um espetáculo assim. O bis é o assassinato da continuidade. A morte do bom-senso. Uma viagem sem volta rumo à bagunça. Há gente que não sabe que a melhor hora de parar é quando se está por cima, né Romário?
Imagino o bis em outras situações.
Após um discurso político, o povo pede bis e o político volta e conta mais algumas mentiras. O coro seria: “mais uma mentira, mais uma, mais uma mentira.”
Após um jogo de futebol em que o time da casa perdeu, os jogadores voltam para mais uma rodada de vaias, com o coro: “uuuuuuuhh, mercenários, uuuuuuuuuuhh, frangueiro.”
Após uma brochada, a mulher também teria direito a pedir um bis: “volta, vai, mais uma brochadinha para eu contar pras amigas.”
O bis é hilário em qualquer situação. Apenas quem organiza espetáculos musicais ainda não se deu conta disso. Quer dizer, quase todos. Afinal, Roger Waters sabe muito bem quando é hora do ThankYou.
criado por Emir Ross
19:39 — Arquivado em: 

Comentário por marta maronez cigaran chaves — 7 de outubro de 2009 @ 17:58
Não tenho opinião formada sobre o “bis”…..acho natural qdo se gosta……..